Coisas Do Catano - No autocarro

Todos os dias, para ir para a faculdade, utilizo transportes públicos, nomeadamente autocarros. Na tentativa de não adormecer, ligo o mp3 e ponho-me a vislumbrar o panorama possível, ou seja, pessoas e mais pessoas, com os mais variados destinos traçados. Umas meias a dormir, outras já stressadas. De manhã encontra-se de tudo. Um dos fenómenos, relacionados com autocarros que mais me intriga, prende-se com os botões de "stop" que accionam os indicadores para parar. Começo a pensar que as pessoas acreditam que os referidos botões servem como identificadores da impressão digital.
Quando querem assinalar a sua paragem de destino, levantam-se, olham para os sinais luminosos existentes no veículo e, mesmo que já estejam com a luzinha acesa, intermitente, pressionam, com a maior das forças e convicções, o pobre do botão, como se, caso não o fizessem, não saíssem na paragem desejada, por aquele botão fazer uma identificação da impressão digital incorrecta, identificação essa que se converte em bilhete de saida do dito transporte.


-Deixa lá carregar bem nisto, porque ainda ontem vi uma senhora que tocou no botão mais ao de leve e ia ficando com a cabeça entalada na porta.


Mas como de manhã as coisas parecem todas estranhas e atípicas, espero que este meu devaneio não tenha passado de uma ilusão acerca de algo que, mais uma vez, só eu é que reparo.

Coisas Do Catano - Custa assim tanto?

Eu sei que os tempos não são os melhores, que anda tudo com falta de dinheiro e que às vezes é complicado gerir todos os problemas que nos aparecem à porta.

Um dia deste vinha sozinha da faculdade. Tinha acordado extremamente mal disposta, durante o dia só se tinham passado desgraças e não tinha companhia até casa, como habitualmente. Apanhei o autocarro errado, que me deixou na estação de S.Bento em vez de no Bolhão (isto só vai ser preceptivel a quem conhece minimamente a Invicta), o que fez com que tivesse que percorrer a pé parte da Rua de Sá da Bandeira. Como se não bastasse estava tempo encoberto, a ameaçar chuva, e a rua era a subir. Uma coisa positiva de ir sozinha na rua é que ligo o mp3 e fico ligada e desligada de tudo ao mesmo tempo, ou seja, desligo do mundo, concentro-me na música, mas ao mesmo tempo presto muita atenção aos pormenores que me rodeiam, sempre influenciados pela música na qual me embrenho.
Reparo muito nas expressões das pessoas. Ao fim de um dia de trabalho, muitas delas querem chegar a casa para ter um pouco de sossego, daí a cara de desespero de alguns, ou até mesmo a expressão mais triste de outros. Acabam por formar uma carneirada tal que passam todos despercebidos. Nesse mesmo dia, no meio de todas aquelas caras carrancudas, reparei num senhor, com uma indumentaria mais pobre, que sorria abertamente na rua, sem qualquer preconceito, sem pudor, sem medos. Lógico que aquilo me ficou na memória e levou-me a pensar que, se calhar, aquele homem tem imensos problemas na vida, no entanto opta por sorrir. Faz melhor, sabe melhor e faz com que os outros se sintam bem, confortados, seguros.
Para nós, os nossos problemas parecem sempre os maiores do mundo e até são, porque são os nossos. No entanto, enfrentar um dia, uma realidade, um mundo com um sorriso, para além de ser mais fácil de se ultrapassar, é mais agradável e não custa assim tanto quanto isso. É uma escolha, uma questão de atitude, uma postura de vida.



Experimentem e digam alguma coisa ;D

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02.11.1991

Obrigado por fazeres parte da minha vida,
por me aturares, mesmo sabendo que não recebes nada em troca,
por me arrancares de casa de vez em quando
(às vezes nos momentos menos oportunos),
por me fazeres aborrecer contigo à custa de coisas parvas,
por me fazeres rir quando estou prestes a explodir,
por me enviares sms inesperadas com as coisas mais impensáveis,
por me conseguires por a chorar com umas quantas palavras,
e com outras quantas resultar no inverso,
por me dizeres coisinhas bonitas de vez em quando.

E acima de tudo, por nunca deixares de acreditar em mim, até mesmo quando eu própria deixei.

Parabéns, e bem-vindo à maioridade.


[melhor amigo, espero que para sempre...]

Acontecimentos do Catano - Semana da Academia

Tenho estado ausente, eu sei. Não tenho tido tempo sequer para respirar. Tenho uma professora com o mesmo apelido que o apresentador do Jogo Duplo que me põe a cabeça em água com três trabalhos semanais e o meu estado de saúde encontra-se num estado bastante instável. Em suma, estou a definhar ás prestações.

No entanto, o que me trouxe aqui não foi isso. Na passada semana decorreu a semana da Academia do Porto. Como o meu estado de saúde não era o melhor, participei, não em tudo, mas no que pude. Tudo teve inicio com a Serenata da Academia, no domingo, onde, pela primeira vez na história, o grupo de fados da honrosa Faculdade de Letras da Universidade do Porto participou. Seguiu-se a Noite Negra, na terça feira, na qual não compareci porque estava a tentar recuperar um pulmão que me fugiu durante a noite. Na quarta feira foi o dia do Cascos-Papper, em que, vergonhosamente, não compareceu ninguém do meu curso. Eu continuava na busca do meu pulmão, que convinha levar para Coimbra no dia seguinte, quinta feira, dia do Comboio do Caloiro. Quando eu já tinha perdido toda a esperança, o meu adorado pulmão voltou, a chorar, todo remeloso, mais congestionado do que quando tinha fugido. Disse-me que passara a noite desamparado, com um grupo de pulmões de fumadores, e como não padeciam da mesma enfermidade que ele, não se conseguiu enquadrar no grupo e decidiu voltar para casa. Ás seis horas da manhã, como sempre, de quinta feira, já com o meu amigo pulmão, desperto com o intuito de me deslocar até à mágnifica cidade de Coimbra dentro de um comboio atolado de gente. Despedi-me da minha cama, pois sabia que naquela noite iria prescindir dos seus prezados serviços, e pus-me a caminho.
Casa -> Metro do Dragão -> Estação de Campanhã -> Coimbra.
E foi assim. Durante a viagem, como estava sob o efeito de muitos, mas mesmo muitos medicamentos, até deu para cantar musicas pimba aos berros. Já em Coimbra, com muita pena minha, pouco consegui ver. No entanto, afirmo com a maior das seguranças que o chão é qualquer coisa de fantástico. Sentir-me-ia à vontade ao fazer uma dissertação acerca do assunto, pois foi aquilo com que tive mais contacto ao longo das quase vinte e quatro horas que lá passei. Durante o dia andamos algures pela cidade, à noite fomos para o recinto da Festa das Latas. No estado fantástico em que me encontrava, optei por ficar com uma outra caloira e alguns doutores sentados num sitio algures, sitio esse que por acaso se situava bastante perto de um outro sitio que aparentava ter um grande poder de atracção de actividades menos próprias. Por trás do contentor do lixo passava-se algo de paranormal. Indivíduos a utilizarem-no como casa de banho, outros como vestiário (ver traseiros de gajas gordas às duas da manhã não é anda agradável), outros como local de viragem do barco, enfim, todo um conjunto de coisas agradáveis. A uma dada altura pensei mesmo que se fosse criar um afluente do Mondego mesmo ali, à quantidade de líquidos libertos. Acabada a festa, voltamos para o comboio que nos traria de volta ao Porto. Cheguei a casa por volta das sete horas da manhã e a sentir-me mais doente do que quando tinha ido. Para prevenir futuras fugas, amarrei o meu pulmão com correntes e bastante cola.
Domingo seguinte, dia da latada, juramento e baptismo no Porto. Foi uma sensação inexplicável. Gritei tanto, mas tanto, mas tanto, tanto que no dia seguinte, ou seja, ontem, não tinha voz.

Factos a reter desta experiência:
- Assustei-me com a forma como alguns doutores de outras casas se trajam. Uns praxam sem capa traçada, saias acima do joelho (e não me refiro a doutoras de Coimbra, são mesmo do Porto), reduzido nível de sangue no álcool, pseudo rockstars. Em suma, betos, pitas e pessoas esquisitas. São coisas destas que me fazem ter orgulho na casa que represento, onde o respeito, a honra e a eloquência são palavras de ordem.

Bonecos do Catano - Eu bem tentei

Sou da geração Power Rangers. Dizia que não via aos meus amigos? Dizia. Era verdade? Não. Ou melhor, vi os primeiros, depois aquilo enredou tanto que perdeu a piada, e como os protagonistas foram perdendo qualidade, nem se perdeu grande coisa. Isto tudo para chegar onde? Nos dias que correm, os miúdos vêm-se assombrados por algo que eu comparo aos Power Ranger,s um anime que dá pelo nome de Naruto.

Como não tenho por hábito depreciar sem experimentar, um dia destes decidi tentar ver um episódio.

-O que é que estás aqui a fazer?
-Vim para a tua beira *sorriso forçado*.
-Mas eu vou ver Naruto.
-Eu sei, também vou ver.
-Mas tu não gostas!
-CALA-TE! Põe isso a dar JÁ!

E o meu irmão lá me fez a vontade. Sim, ele gosta e vê Naruto, bem como o meu melhor amigo e mais umas quantas pessoas com quem me dou diariamente, e se eles gostam é porque não deve ser tão mau quanto isso...pensava eu!
Um individuo com o cabelo grande, branco, com duas riscas na cara, sai de dentro de um sapo e vai para uma aldeia dizer que é critico gastronómico, enganando uma velhinha simpática que estava a vender bolinhos de porco. - Espera lá (dialogando com meu subconsciente), ele saiu de onde? Um SAPO? Deixa continuar a prestar atenção, pode ter sido uma ilusão provocada pelo excesso de trabalhos de MELP (que para quem não sabe quer dizer Metodologia dos Estudos Literários de Português).
Do nada surge uma senhora que se desfaz em papeis muito pequenos e 'auto-origamiza-se' em borboletas para vigiar o senhor que o sapo vomitou, que por sua vez, capturou dois indivíduos, depois de ter estado com uma prostituta casada, indivíduos esses que enclausurou nas entranhas de um sapo e torturou com uma pena até eles dizerem quem era o gajo que eles consideravam o Deus e salvador da localidade, que por acaso, naquele mesmo minuto, se estava a enfiar numa coisa semelhante a um frigorífico e a trocar de corpo. Tudo muito normal, como é lógico. Coisas habitualissimas e com imenso sentido. O senhor do cabelo branco foi para não sei onde, e a gaja que se 'auto-origamiza' a persegui-lo, tendo-o atacado com mini aviões de papel, feitos com bocados dela mesma. O individuo responde-lhe vomitando óleo para cima. Mais uma vez do nada, surge o que estava no frigorífico que invoca uma lagosta para limpar o óleo. O outro não tem mais nada e enrola o que soltou a lagosta (estava no frigorífico e soltou uma lagosta, vá lá, uma coisa com sentido) com o próprio cabelo enquanto lhe dá lições de moral e descobre que foi ele quem o salvou quando era pequeno, mas que afinal foi um erro. Eles em vez de começarem a chorar e a correr, um em direcção ao outro, em câmara lenta, com uma música saudosista de fundo, atacam-se com maior violência! Nem me lembro do que se passou a seguir, o meu cérebro fez o favor de bloquear antes que eu fosse parar ao Magalhães Lemos.
Uma coisa curiosa, foi que, naquele episódio, pelo menos, o genérico de abertura surgiu a meio, e o final, também não deu no fim.
Ao longo daqueles penosos minutos, o Naruto não apareceu uma única vez, o que me levou a procurar um exclarecimento junto do meu irmão. O que eu entendi foi mais ou menos isto:

-O pai dele (...) apanhou uma raposa que era muito temida (...) bla, bla, bla..e enfiou a raposa dentro do Naruto (...) ...coise e tal, ..e tal e cois.. e agora, mas ele ainda não sabe, aquela raposa anda sempre com ele e ele invoca-a (ou qualquer coisa semelhante).

Em apenas um episódio, decorei o nome de imensa personagens (maldita sejas memória com capacidade de decorar coisas inúteis!) e não me consigo esquecer dos nomes!!

Conclusão a que eu cheguei: aquilo é pateta! Respeito quem vê, obviamente, mas é pateta! Não faz sentido nenhum. Não vou apontar o dedo a nada em especial do anime e não escrevi este texto com o intuito de ofender ninguém, apenas expressa uma opinião pessoal, mas o enredo não faz sentido. Há imensas personagens, depois há o clássico e o shippuuden, ou lá como se escreve, em que um é no presente e outro no futuro. Enfim, uma panóplia enorme de pormenores que a meu ver não interessam, nem ao Yeti.

P.S.1: Luís, desculpa, desculpa, desculpa. Já sabes que não gosto mesmo nada disto. Melhores amigos como antes? :P

P.S.2: Tiago, a música que me mostraste até é engraçada, e a expressão do Naruto, no genérico, bastante parecido com a minha gata também, mas o resto... Só espero não perder um leitor ;)

P.S.3: Alex, puto, sabes que vivendo na mesma casa, vais continuar a ser gozado diáriamente. Se o quiseres evitar, podes sempre solicitar guarida na casota da cadela.

P.S.4: Gonçalo e Vânia, se eu me dirigir a vocês mais uma vez, histérica e atordoada, a dizer que vi Naruto, façam-me um favor: enfiem-me um garfo em cada olho...cada um!

Coisas do Catano - Profissão de futuro

Na passada quinta-feira, depois de termos (a utilização do plural pressupõe mais do que um individuo, o que não é bem assim, visto que caloiro é só um) comprado o bilhete de entrada para a nossa morte, em plena sessão solene*. Deu-se ali por terminada a nossa recepção. Agora só subsiste quem quer.

Hoje, de volta à praxe, coube-nos uma muy nobre tarefa a desenvolver na e pela nossa muy nobre invicta: um peditório em nome da associação Coração da Cidade que tem estendido a mão a muita gente socialmente desfavorecida. Divididos em três grupos de quatro elementos em pontos estratégicos, empenhados fazer a boa acção do dia. Um grupo na Casa da Música, outro à saída do metro e outro, o meu, composto por mim, obviamente, o Nicolas, a Sara e a Susana (de reparar que coloquei os nomes por ordem alfabética, de forma a não ferir susceptibilidades, visto eu ser apologista do políticamente correcto xD) na chamada Rotunda da Boavista. Inicialmente abordamos as pessoas que se encontravam sentadas, depois começamos a verdadeira caça ao homem. Dirigiamo-nos educadamente às pessoas, umas diziam que não estavam interessadas, simplesmente, o que eu acho mais educado do que fingir que não se tem nada para contribuir, outras aderiam calorosamente. Sinto-me obrigada a salientar um caso de uma simpática senhora que se encontrava com pressa para ir ao médico, mas que quando referimos a instituição a que se destinavam os fundos, agarrou no porta-moedas e tirou todas as moedas que lá tinha para nos dar. Foi um acto de extrema generosidade que me tocou imenso. No final, conseguimos constatar que os jovens e as pessoas de classes sociais mais baixas são os que mais se disponibilizam para estas iniciativas, ideia que muitas das vezes não passa para o público geral. Estavamos bastante empenhados na nossa humilde tarefa. Até à chuva abordavamos as pessoas!
Terminada a tarefa, senti-me concretizada. Concretizada por ter feito algo que beneficiará alguém que necessita e também por ter sido uma coisa diferente.

A minha caixa encefálica, ou 'cefálica, como já ouvi, tem vido a organizar sucessivas raves com o tico e o teco (que não se encontram em muito bom estado de conservação há algum tempo), ou seja, já desde quinta feira da passada semana que sinto que tenho uma discoteca foleira na cabeça a martelar.
Optei por vir embora da faculdade por volta do meio-dia, de forma a poder acabar de tratar de assuntos burocráticos. No autocarro, o fantástico 200 Bolhão, estava mesmo toda tosca (acho que nunca usei esta fantástica expressão num post) de forma a que quando cheguei a casa, nem me dei conta que adormeci a responder a uma sms. Foi a tarde pelo cano abaixo, ou pelo sono dentro, como queiram. A próxima sessão praxistica tem data indefinida. O efeito surpresa vai ser algo permanente na minha vida académica de agora em diante, visto que "A praxe, é quando um Doutor quiser".


*digamos que hesitamos nas saudações, enganamo-nos no sketch, enfim, um rol de desgraças que nem vale a pena recordar :P LLM ROCKS!

Músicas do Catano - Ma baby boys are back!!

Acontecimentos do Catano - O dia em que eu ganhei cascos

Dia 21 de Setembro de 2009, o dia em que me tornei besta experimental da praxe da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, praxe de LLM, curso oficial de Línguas, Literaturas e Culturas.
Ás oito e trinta da manhã, uma mancha negra entrou-me pelos olhos dentro, ferindo-os e tatuando uma imagem que nunca sairá das paredes da minha caixa craniana. Emoldurado que nem tatuagem numa loja onde se faz as ditas cujas, ou então tipo catálogo, onde o pessoal pode escolher aqui... ok, acho que já se percebeu. Sim, eram doutores e veteranos, ansiosos pela chegada de putos novinhos para praxar com o maior dos gozos. Passei por eles e assustadoramente nenhum deles me abordou.

-Inês!

Rodei a cabeça muito lentamente, que nem cena em slow-motion num filme foleiro de adolescentes de domingo à tarde.

-Anda, estamos com um.... DOUTOR!

Os meus folículos pilosos fizeram por eriçar todos os meus pelos. Não, não era frio, era o chamamento que eu mais temia, o chamamento para o duro, frio e desumano caminho da PRAXE! Aquela palavra entrara pelos meus canais auditivos como adagas, mas muito pequeninas, porque eu não sou o Dumbo, tenho orelhas de tamanho normal.
Segui, segui com um ingénuo e indefeso grupo de meninas, sempre atrás de um Doutor, até ao seu covil, onde se encontravam os restantes membros maçónicos que nos iriam receber e usar da forma como bem entenderem. Para meu espanto, mandaram-nos ir para as aulas e retornar ao local da chacina.

Primeira aula-Auditório 2, Espanhol:
Professora simpática, espanhola, a viver em Braga.

À porta, já nos esperavam morcegos sedentos de sangue novo, mais uma vez para nos encaminha até outros tantos morcegos. Dirigiram-nos pelas catacumbas do seu covil para uma das plataformas de tortura. Ensinaram-nos a saudar Doutores e Veteranos, a posição de caloiro,... Aprendemos ainda que caloiros não tem mãozinhas, tem cascos. E andam sempre dois a dois, de casco dado. Após uns quantos ensinamentos e uns minutinhos de tortura, dirigiram-nos até à BANHEIRA. Um espaço pequeno onde depositaram mais de 100 caloiros. Após imitar galinhas, pipocas e outra coisa qualquer com imensa piada que não me ocorre de momento, madaram-nos sentar no chão, tarefa impossivel aos olhos de quem por ali passasse, e de facto foi. Toda a gente se sentou no chão, menos eu, que fiquei em cima das minhas próprias pernas, com gente em cima. Ou seja, para além do meu próprio peso, tinha ainda em cima, o peso de mais dois traseiros alheios (que eu julgo pertencerem a um humano). Aguentei bem mais do que meia hora em cima de mim mesma, até que cedi... Verti uma lágrima de sofrimento, acompanhada com uma expressão de sufoco, que resultou no estender de mão de um elemento da comunidade de negro. Funcionou como uma espécie de luz de chamamento a criaturas do escuro. Estranhei, desconfiei, mas a minha dor era tal que estendi a minha mão também, na direcção daquela outra que me parecia tão traiçoeira.
Fui resgatada daquela banheira que aos meus olhos surgia como sendo um cruel oceano que, a pouco e pouco mais me afastava da vida.

-Que se passa? Sentes-te mal?

Curioso. Não berraram, não enxovalharam...

-Senta-te. Queres alguma coisa? Água, um lenço... O que te doi?
-As pernas. Não sinto as pernas.


Tudo isto sempre de cabeça baixada. Quando, finalmente, ganho atrevimento para a levantar, vejo-me rodeada de Doutores.

-Levanta-te e roda os tornozelos. Eu sei que doí, mas é melhor assim.

Uau.. Um senhor Doutor simpático.

-De que curso és?
-LLC.
-Em praxe és de LLM. Eu sei que isso custa. Vou só ali e já volto para ver como estás.

Rapidamente, uma outra Doutora conduz-me para uns degraus e pergunta se ainda me doem as pernas. Naquele momento a dor já se tinha desvanecido. Apenas sentia um formigueiro incomodativo. De imediato, ela e outra Doutora começam a massajar-me as pernas, na tentativa de as devolver ao mundo dos ressuscitados, ao lado de Jesus Cristo e Lili Caneças, sim, porque as minhas pernas morreram do joelho para baixo.

Senti-me acolhida por entre capas e trajes. Foi naquele momento que decidi: quero ser praxada.

Enquanto eu me recompunha, um senhor que fora identificado como o Cavaco Silva das FLUP, ou Dux-Facultis da FLUP, declamava algo que, devido ao meu débil estado não tive o prazer de ouvir.

Hora de Almoço.

Segunda aula-sala 106, Latim:
Professor enfadonho, bem melhor para dormir do que Xanax, no entanto, esforça-se por fazer entender.

Mais uma vez, membros da comunidade de negro nos esperavam à porta. Guiaram-nos para um local sombrio, por entre paredes de pedra, rudes e geladas, com janela aberta para o Rui Douro. Paisagem bela demais para o terror vivido por aqueles corredores. Chegados ao local, fui abordada por um Veterano que já tinha conhecimento do triste episódio, protagonizado pela minha pessoa na banheira. Aliás, todos eles já sabiam. A praxe é pior do que os cabeleireiros, no que diz respeito ao circular de informações...
Teatro era o que nos esperava. Por entre Borats, Noddys Emo, Michael Jackssons ressuscitados e Nelminhas, surgiram estas duas músicas: , , conhecidissimas do público nacional.
Mais uma vez dispensados, mais uma aula.

Terceira aula - sala 101 - Metodologia dos estudos literários de Português:
Professora cativante para uns, entediante para quem não tem hábitos de leitura e quem seja um pouco pobre em termos culturais. Muitíssimo interessante, a meu ver.

Saída da sala, mais uma vez acompanhada por doutoras que nos conduziram ao tenebroso local onde tínhamos estado anteriormente. Pedimos à Doutora dispensa da praxe. Aquela era a nossa última aula e havia greve dos transportes públicos do Porto. Ela compreendeu, mas encarregou tal responsabilidade para um outro doutor. Solicitamos dispensa, que nos foi concedida quase de imediato.

Nunca ver um autocarro me fez tão feliz. Adeus arena de touros disfarçada! Até, até...amanhã?? OH NÃO! MAIS?

Coisas do Catano - Random

Apetece-me escrever sobre o que me vier à cabeça neste preciso momento.



Ando estéril de ideias. Por vezes tenho uns micro-flashes, que surgem como beliscões cerebrais, mas como me dão, ou no meio do autocarro, ou quando estou quase a adormecer, nem sequer os aponto.



Há uns dias ia escrever sobre a chuva. Das saudades que já tinha de sentir aquele cheiro a asfalto húmido, típico dos inicios do Outono. E de pisar as folhas secas, recem caídas, que estalam alegremente ao mínimo movimento dos nossos pés. No entanto, a ideia de escrever sobre o assunto desvaneceu-se e não passou de um simples esboço por realizar.



Quando fui fazer a matrícula na faculdade, na passada terça-feira, fiquei muitíssimo indignada com o facto de não haver nenhum doutor de LLC na FLUP. EU QUERO QUE ME EXPLIQUEM O HORÁRIO! Pronto, já fica aqui o desabafo.



O meu "5 Para a Meia-Noite" está na sua recta final. Pena. No entanto, a 2ª série espera-nos! Durante o tempo de jejum televisivo, vamos ter desafios interactivos. Na web o programa continua. Sou muito suspeita, mas a meu ver foi das melhores coisinhas que se fez nos últimos anos. Tive a oportunidade de conhecer gente deslumbrante. E por gente deslumbrante refiro-me a pessoal do Twitter, apresentadores, actores. Fiz amigos, amigos verdadeiros e que agradeço do fundo do coração por existirem e por me terem aparecido pela frente (já chega de lamechisses, até porque não gosto nada dessas coisas e as despedidas deixam-se para o final).



Ando extremamente aborrecida, mais do que o habitual. E o mais engraçado é que começo a ter o poder de aborrecer os restantes... No entanto podem ser efeitos secundários do inicio do ano lectivo. Acontece a todos.

E fica assim terminado um post merdoso, peço desculpa pela expressão, mas não me lembrei de uma melhor, e com a neura que estou já é muito bom.
Portem-se bem, ouçam pouca música de fazer meninos e pensem bem na vossa atitude enquanto eleitores, porque o terror aproxima-se e não queremos ver por aqui jeitosos arrependidos. ;)


P.S.: Ouçam isto, depois digam algum coisa.
P.S.2: O F.C.P. perdeu, não me moiam...

Músicas do Catano - Lucid Dreams

Quando não quero aturar ninguém, e por ninguém leia-se o pessoal da casa, tenho por hábito alojar o laptop nas perninhas e ouvir um albúm qualquer, de inicio ao fim, enquanto faço outras actividades, como ler blogues, twittar, ... Estava muito descansadinha a ouvir o "Tonight: Franz Ferdinand" quando após a audição de uma música, reparei numa abrupta quebra. Para quem conhece minimamente o trabalho destes meninos, já está habituado a músicas completamente distintas de inicio ao fim, mas neste caso achei muito estranho, porque nem do inicio da música me lembrava! Fiquei quase que em transe e quando acabou e foi como se alguém me tivesse acordado com um par de lapadas jeitoso.


Experimentem ouvir a música da seguinte forma:
-deixem-na carregar toda
-utilizem phones para ouvir
-em simultâneo, façam outra coisa qualquer, de forma a não prestar muita atenção à música



Depois da audição respondam às seguintes questões:
1º-Sentiram um corte abrupto quando a música terminou?
2º-A batida final ficou incrustada, que nem sujidade numa terrina, na vossa cabeça?
3º-Lembram-se do inicio da música?
4º-Pareceu ser homogénea ou toda completamente diferente?

Se a resposta a esta última questão for afirmativa, ouçam bocados distintos da música. Uns cinco segundos no inicio, saltem para mais à frente e ouçam mais uns cinco segundo e assim sucessivamente umas quatro ou cinco vezes ao longo da música. Já não vos parece tão homogénea, pois não?

Agora já podem tentar ouvir a música com mais atenção e constatar os factos. Coincidiu com a minha constatação ou nem por isso? Se não, foi uma velente perda de tempo e é oficial que não fecho bem da tampa. Bem, há dias melhores ...



[P.S.: Entrei na minha primeira escolha no concurso de acesso ao ensino superior, ou seja, para o ano estarei a frequentar o curso de Línguas , Literaturas e Culturas na FLUP. Yei!]

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